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Começo por dizer que achei desde logo a ideia da Maria muito interessante. Em Évora, rareiam as ideias interessantes.

Escolhi com alguma hesitação, as três músicas para passar na noite para a qual fui convidada, pois eram bem mais aquelas que gostaria de ter levado comigo, mas a piada do desafio era essa: escolher de entre todas, por entre tantas, apenas três. Pensei nos Jane’s Addiction, nos The Smiths, nos Mão Morta…Mas escolhi a Suzanne Vega, os Cowboy Junkies e os The National. Os Ornatos Violeta só não foram escolhidos  porque recentemente perdi-me de amores pelos The National. Não vou nomear as canções escolhidas pela simples razão de não serem as mesmas per si relevantes, mas sim as bandas. Ou os álbuns de onde as seleccionei.

 

O meu favorito de Suzanne Vega – obssessão de adolescência – tem nome homónimo; o favorito dos Cowboy Junkies, em que a escolha recai aqui muito pela voz de Margo Timmins no eterno “The Caution Horses”, ainda que, como também  no sofá-variedades o tenha mencionado, reconheça a inquestionável qualidade daquele considerado o melhor da banda: “The Trinity Session”.

Dos norte-americanos The National escolhi uma música na hora, com a ajudinha de um membro da assistência, retirada do álbum “Boxer”, o seu último. Confesso aqui que durante mais de um ano, ou se calhar menos, o seu antecessor “Alligator” andou lá por casa em cima de mesas, na sala, ou na cozinha, e não lhe liguei muito, para não dizer nenhuma. Depois, bem, depois entranhou-se de tal modo a música destes senhores, que ainda agora, ao escutar algumas das suas canções, fico com alguns arrepios na espinha. Mistérios..

Para acabar, e segundo confidências fofinhas da organização, vulgo M (só bebi 2 ou 3 Portos!..), a coisa parece que descambou um bocado, nada de grave she said, face ao “plano original”, perdoa-me Maria, a leveza de espírito, mas o álcool quando raramente consumido (um ano de quase abstinência total, que os fígados já vão para velhos) torna-me ligeiramente desbocada…(!)

Ainda assim, penso que foi uma noite engraçada e também bonita (adjectivo pouco utilizado, instigará  medo?) e concerteza que foram poucos os que deram pela minha troca de nomes às coisas, além de que o Taborda e Tiago “compuseram” muito bem o serão, ajudando a safar a coisa!;)

 

É um prazer dar a conhecer, e igual prazer tenho em conhecer os gostos dos outros. Não tenho alguma dúvida do quão importante e insubstituível, é a música na minha vida. E…se a música nos salva da infelicidade, cantar em dueto com outras raças, com outras gentes, a nossa canção, pode salvar-nos das trevas:

” The introdution into my life of another race, essentially different from mine, in Africa became to me a mysterious expansion of my world. My own voice and song in life there had a second to set to it, and grew fuller and richer in the duet.” in The Shadows on the Grass, Isak Dinesen (Karen Blixen), Penguin Books, 1984.                   

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